domingo, 12 de novembro de 2017

O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012)


GUILHERME W. MACHADO

Como o filme de grande cidade que é, O Som ao Redor acaba por abordar uma multiplicidade de temas através de seu mosaico de personagens. Longe de difuso, entretanto, Kleber Mendonça filho consegue manter sua unidade temática da mesma forma que vem fazendo em sua jovem carreira: explorando à exaustão um punhado específico de assuntos que se repetem sistematicamente na estrutura de suas obras. Como muitos grandes cineastas – e digo isso sem emancipá-lo a essa posição tendo apenas dois longas metragens no currículo – Kleber é obcecado.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

10 Giallos Preferidos (Especial Halloween)


GUILHERME W. MACHADO

Então, pra manter a tradição do blog de lançar uma lista temática de terror a cada novo Halloween (confira aqui a do ano passado), fico em 2017 com o top de um dos meus subgêneros favoritos: o Giallo. Pra quem não tá familiarizado com o nome  e certamente muito do grande público consumidor de terror ainda é alheio à existência dessas pérolas  explico rapidamente no parágrafo abaixo, mas sem aprofundar muito, pois não é o propósito aqui fazer um artigo sobre o estilo. Seja para já apreciadores ou para os que nunca sequer ouviram falar, deixo o Giallo como minha recomendação para esse Halloween, frisando  para os que torcem o nariz – que essa escola de italianos serviu como referência e inspiração para muitos dos que viriam a ser os maiores diretores do terror americano, como John Carpenter, Wes Craven, Tobe Hooper, e até diretores fora do gênero, como Brian De Palma e Quentin Tarantino.

sábado, 14 de outubro de 2017

Retrospectiva: 1957


GUILHERME W. MACHADO

Dando seguimento à minha proposta de resgatar alguns anos (começada aqui), puxo agora 10 filmes de 1957, que considero um dos anos mais fortes da década de 50. A densidade de obras-primas é grande; pode ser um ano só, mas um que concentra: o meu Fellini preferido, possivelmente meu Kurosawa preferido, um dos melhores do Tourneur, DOIS Bergmans, um filmaço subestimado do Chaplin, um top 3 do Kubrick e uma das melhores dentre as tantas obras-primas que Nicholas Ray fez nessa década. Pra resumir numa frase: é um ano tão bom que tem dois filmes de um dos meus diretores preferidos (Billy Wilder) e nenhum deles entrou nesse top 10.

domingo, 8 de outubro de 2017

Mãe! (Darren Aronofsky, 2017)


GUILHERME W. MACHADO


Então... Demorei, confesso, para escrever esse texto. Não porque precisava de tempo para pensar, afinal o filme é tão plano quanto as palavras de seu diretor, revelando prontamente suas intenções na tentativa de passa-las por algo mais complexo. Demorei precisamente porque a busca por importância na qual incorrem diretores como Aronofsky é, em geral, apelativa a um público sempre à procura de um gênio; pensei, portanto, se era uma polêmica que valia a pena ser comprada (até porque incitar essas discórdias insossas faz parte da estratégia de venda de Mãe!, e isso eu não queria alimentar de jeito nenhum).